Lucimar Souza – Jornalista
Primeira mulher entrevistada da série “Autores Independentes”, Luzia Inês Martins fala sobre literatura, educação, persistência e a força da escrita feminina. “A literatura precisa de vozes femininas.” A frase poderia ser apenas uma resposta de entrevista. Mas, nas palavras de Luzia Inês Martins, ela ganha o peso de quem transformou uma vida inteira de dedicação à educação, à sensibilidade e à perseverança em literatura. Esta edição marca um momento especial para o Caderno Literário. Pela primeira vez, nossa coluna recebe uma escritora. E essa estreia feminina não poderia acontecer de forma mais representativa.
Antes de conquistar leitores e premiações, Luzia foi uma menina do interior de Minas Gerais. Cresceu entre montanhas, árvores, flores e o canto dos pássaros, cenário que continua vivo em sua literatura. Ainda adolescente escrevia romances enquanto alimentava sonhos que, por muitos anos, precisaram dividir espaço com a missão de alfabetizar crianças.
A professora ocupou o tempo da escritora. Mas nunca conseguiu silenciá-la. Foi somente após a aposentadoria — e no período posterior à pandemia — que a autora decidiu entregar-se integralmente à literatura. Desde então, escrever deixou de ser apenas paixão para tornar-se, como ela mesma define, algo essencial: o alimento que fortalece e sustenta sua alma e seu espírito.
Sua obra é povoada por personagens simples, movidos pela fé, pela coragem e pelo desejo de uma sociedade mais justa. A natureza não aparece apenas como cenário, mas como personagem silenciosa, carregada de simbolismos, mistérios e beleza. Embora reconhecida por importantes premiações, Luzia recebe cada homenagem com humildade. Para ela, os prêmios representam a confirmação de que suas histórias conseguem tocar o coração dos leitores.
Ao falar da literatura produzida por mulheres, a escritora demonstra consciência dos avanços conquistados e dos desafios que permanecem. Defende maior valorização das autoras brasileiras, mais espaço nas escolas, universidades e eventos literários. Sua mensagem para as mulheres que sonham publicar o primeiro livro emociona: “Acredite em você e na sua história. A literatura precisa de vozes femininas e de mulheres que inspirem outras mulheres.”
Luzia também fala, sem romantizar, sobre as dificuldades da carreira. Ainda assim, resume sua personalidade em poucas palavras: “Nunca desanimei. Sou persistente. Acredito. Tenho fé.” Em tempos de inteligência artificial, ela acredita que a literatura continuará preservando a memória, aproximando gerações e oferecendo novos mundos aos leitores.
Ao encerrarmos esta primeira entrevista feminina do Caderno Literário, fica a sensação de que Luzia Inês Martins representa muitas mulheres brasileiras: educadoras, sonhadoras, resilientes e profundamente comprometidas com a cultura.
Lucimar de Souza Fernandes Caderno Literário – Autores Independentes Pingue-Pongue Literário
Um livro que mudou sua vida?
Luzia Inês Martins: O Pequeno Príncipe.
Uma escritora que sempre a inspira?
Luzia Inês Martins: Carolina Maria de Jesus.
Um lugar perfeito para escrever?
Luzia Inês Martins: Onde possa ficar em sintonia com a natureza.
Escrever à mão ou no computador?
Luzia Inês Martins: No computador.
Café ou chá durante a escrita?
Luzia Inês Martins: Café… acompanhado pelo canto dos pássaros.
Uma palavra que define sua trajetória?
Luzia Inês Martins: Fé.
Um sonho como escritora?
Luzia Inês Martins: Inspirar crianças e jovens para que lutem pelos próprios sonhos.
Quando não está escrevendo?
Luzia Inês Martins: Estar em meio à natureza.
Conselho à Luzia do início da carreira?
Luzia Inês Martins: Persista com fé e coragem. Lute. Acredite em você.
Escrever para mim é…
Luzia Inês Martins: Um dom precioso que Deus me deu para que eu possa semear o bem.

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