A procura pela primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em Minas Gerais mais do que dobrou após a flexibilização das regras pelo governo federal.

Segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MG), foram registrados cerca de 52,9 mil requerimentos em janeiro deste ano, o que representa um salto de 142,6% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 21,8 mil pedidos haviam sido feitos.

A mudança teve como objetivo principal baratear o processo, que chegava a custar R$ 5.000 no Brasil. Em Minas, o preço dos exames médico e psicológico caiu e as aulas teóricas deixaram de ser cobradas. Contudo, as autoescolas afirmam que o custo não diminuiu na proporção esperada: sem a venda dos antigos pacotes fechados (que incluíam 45 aulas teóricas e 20 práticas), o valor da hora de direção saltou de R$ 40 a R$ 50 para a faixa de R$ 80 a R$ 100, já que os custos operacionais das empresas se mantiveram e não podem mais ser diluídos.

No novo formato, os alunos precisam realizar apenas duas aulas práticas antes dos exames, e as taxas obrigatórias para abrir o processo e fazer as provas somam R$ 527,40 (tabeladas). Enquanto os futuros motoristas economizam no início do processo, o sindicato da categoria (Sindicfc-MG) aguarda que o Detran-MG reveja as exigências estruturais e de funcionários para o funcionamento das autoescolas, na tentativa de também cortar os custos dos estabelecimentos.

O impacto dessa transição, no entanto, tem gerado o fechamento de empresas no setor. De acordo com o Sindicfc-MG, cerca de cem autoescolas já encerraram as atividades no estado, sendo dez em Belo Horizonte. Com o fim da obrigatoriedade de cargos pedagógicos e administrativos, a estimativa é que até 5.000 dos 20 mil trabalhadores da área percam o emprego até o final de fevereiro, restando aos instrutores a opção de atuar como autônomos, o que exige investimento próprio em veículos e retira a segurança da carteira assinada.