A poeta e escritora mineira Biláh Bernardes, de 76 anos, participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, realizada de 4 a 13 de setembro, no Anhembi. Durante o evento, a autora lança dois de seus trabalhos: o romance para adultos “Maroca Amordaçada” e o livro infantil “Bichinhos nas Nuvens”.
Os lançamentos acontecem no dia 9 de setembro, às 16h30, no Espaço Leia Mais, localizado na Rua E, estande 10. A programação também inclui outras atividades com a participação da escritora.
No mesmo dia, às 18h20, Biláh participa da apresentação do projeto “Vozes Libertas em Movimento”, da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB-MG), em parceria com a coletânea da AJEB-SP. A proposta será apresentada por meio de teatro espontâneo, movimentos corporais e leitura dramática, abordando como tema central a violência contra as mulheres. A escritora também integra o lançamento da 10ª edição da coletânea “Nós da Poesia”, publicada pelo Instituto Imersão Latina. Biláh participa da publicação desde a primeira edição.
Entre a poesia e a prosa
Biláh iniciou sua trajetória literária como poeta aos 56 anos. Em 2025, passou a explorar também a ficção com “Maroca Amordaçada”, obra que combina prosa e poesia em uma narrativa marcada pela reflexão e pela linguagem lírica. O romance foi lançado na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, e posteriormente em Belo Horizonte. A obra também ficou entre as 155 primeiras colocadas entre quase três mil trabalhos inscritos no Concurso Nacional de Literatura Carolina de Jesus, promovido pelo Ministério das Mulheres.
Na história, Maroca, apelido associado a uma pessoa que gosta de falar e fala muito, é uma personagem que foi silenciada. Diante dessa realidade, encontra na leitura e na escrita uma forma de enfrentar os acontecimentos e compreender seus próprios sentimentos. A personagem Carolina Maria, a Maroca, é poeta e leitora voraz. Ao longo da narrativa, encontra nos livros um espaço de refúgio e autoconhecimento. A presença do avô Jonas também representa uma referência importante para a personagem diante das dificuldades enfrentadas no cotidiano.
“Escrever cura. Falar cura. Principalmente, a poesia cura”, afirma Biláh.
A obra apresenta uma narrativa essencialmente poética, inclusive nos momentos mais tensos da história. Um dos aspectos destacados pela autora é que os poemas escritos pela personagem apresentam características diferentes de seu próprio estilo poético, resultado da construção ficcional e da imersão na personalidade de Maroca. Entre os autores citados na obra estão José Mauro de Vasconcelos, Carolina Maria de Jesus, Jean Piaget, Helena Antipoff, Victor Hugo e Lúcia Casasanta.
Livro infantil propõe brincadeira longe das telas
“Bichinhos nas Nuvens” marca a estreia de Biláh Bernardes na literatura infantil. A obra propõe aos pequenos leitores uma brincadeira simples: observar o céu e procurar formas de animais e outros personagens nas nuvens. A ideia surgiu como uma forma de estimular a imaginação e a observação, especialmente em um período em que as crianças passam cada vez mais tempo diante das telas.
“O tema central é incentivar a observação e imaginação em uma brincadeira sem brinquedos e longe do digital. O movimento está sempre presente”, explica a autora. A proposta é transformar a observação do céu em uma experiência de descoberta, estimulando a criatividade sem a necessidade de recursos tecnológicos.
Vozes Libertas aborda violência contra mulheres
Além dos lançamentos literários, a participação de Biláh na Bienal também será marcada pelo projeto “Vozes Libertas em Movimento”. A coletânea reúne escritoras de diferentes regiões do Brasil e apresenta relatos relacionados à violência contra as mulheres, especialmente experiências de pessoas que conseguiram romper relacionamentos considerados tóxicos. A apresentação em São Paulo será realizada por meio de leitura dramática e teatro espontâneo, utilizando o corpo e o movimento como elementos da narrativa.
Biláh Bernardes nasceu Maria Angélica dos Santos, em 22 de janeiro de 1950, em Santo Antônio do Monte, no Oeste de Minas Gerais. É membro da Academia Santantoniense de Letras e vive em Belo Horizonte desde 1970. Professora, pesquisadora, poeta, ficcionista e contadora de histórias, possui formação em Pedagogia, Psicopedagogia e Psicopedagogia Clínica.
Na Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB-MG), ocupou a presidência no período de 2024 a 2026 e atualmente exerce a vice-presidência da entidade, no período de 2026 a 2028. “Maroca Amordaçada” integra a coleção Infame Ruído 2025, da Imensa Editorial.
A coleção reúne autores e obras produzidas fora dos circuitos considerados hegemônicos da literatura na América Latina, África e Europa. A iniciativa também integra o projeto Terceira Feira: Encontro de Literaturas das Margens do Mundo, do Instituto de Desenvolvimento Humano Daghobé, voltado à formação de leitores em escolas públicas.


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