Juliana Guimarães, oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães
A ceratopigmentação não é uma técnica recente, porém, a evolução da tecnologia e da medicina apresentaram modificações usadas no atual procedimento, cada vez mais solicitado por celebridades, como Maya Massafera e Andressa Urach. A dúvida é se essa intervenção é mesmo segura? A técnica ainda é chamada de tatuagem da córnea, sendo uma cirurgia para aplicar pigmentos nessa camada transparente da região posterior do olho para alterar a cor.
É grande o número de pessoas que desconhecem que esse método também é usado para quem apresenta quadros de opacidade corneana, fotofobia ou diplopia, ligados à cegueira e baixa visão e, até mesmo, fins estéticos. Contudo, apesar de a ceratopigmentação ser aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) informa que a mesma, apenas é permitida no Brasil para questões estéticas para quem não enxerga mais.
O branco ocular surge devido a inflamação recorrente gerada por alguma doença grave, tornando-a opaca, dificultando a visibilidade de objetos. Normalmente, a ocorrência acontece com acidentes; doenças na retina; causas congênitas ou por sequelas do sarampo.
Maya e Andressa não apresentavam nenhuma dessas condições e, por isso, viajaram para a França, uma vez que a finalidade da cirurgia era estética, ou seja, desejavam apenas modificar a cor dos olhos. Em vídeo publicado em suas redes sociais, Massafera afirmou “Eu tô um nojo com esse meu olho, que era para ser verde, mas está mais azul do que verde”.
Enquanto isso, o caso de Urach se mostra mais dramático, uma vez que apresentou reações adversas, como dor, lacrimejamento e dificuldade para abrir os olhos, pela sensibilidade à luz, sintomas perigosos e que precisam ser investigados.
É importante alertar que a região da parte colorida não é a córnea e, sim, a íris, que contém todos os pigmentos, como a melanina, determinante para a cor dos olhos. Assim, a ceratopigmentação pode ser feita a partir de duas maneiras diferentes: usando um dermógrafo – maquininha criada para tatuar as camadas mais superficiais da pele – ou recorrendo a implantação de um túnel dentro da córnea para introduzir a tinta no local. O processo é considerado pouco invasivo, realizado em ambiente cirúrgico com sedação e de caráter irreversível.
O procedimento apresenta resultados excelentes para indivíduos com cicatrizes na córnea ou que perderam a visão, melhorando a aparência local e autoestima, uma vez que a diferença costuma ser perceptível e difícil de ser escondida. Vale destacar que o objetivo é apenas deixar a aparência mais próxima possível de um olho real e não restaurar a visão.
Contudo, como qualquer outra cirurgia, a ceratopigmentação também possui riscos. Alguns deles são a perfuração da córnea; infecções; inflamações; exposição da íris; estafiloma; degeneração calcárea; ceratite ativa; hipersensibilidade ao pigmento; iridociclite com desorganização do globo ocular e a fotofobia. O procedimento dificulta a realização de exames, como o mapeamento de retina e as cirurgias intraoculares. Por esse motivo, é indicada somente para quem já perdeu a capacidade de enxergar. A recomendação é consultar um oftalmologista, especialista em córnea, para avaliar as características de cada caso e verificar se a pessoa está apta ao procedimento. Alguns casos ainda requerem retoques, assim como as tatuagens tradicionais, realizadas na pele, quer seja para melhorar a pigmentação ou aproximar ainda mais da aparência do olho real, pois, ao longo dos anos, podem alterar a cor da córnea.


Deixar um comentário