Francisco Reis Bastos – Angiologista, referência brasileira em escleroterapia com espuma, autor do livro
“Varizes – Conhecer para prevenir” As varizes de membros inferiores são uma doença de alta prevalência entre brasileiros adultos com grande impacto na qualidade de vida. Tradicionalmente, os pacientes passam por tratamento clínico e cirúrgico convencional. Entretanto, recentemente, ocorreu uma grande migração para intervenções com procedimentos menos invasivos, como a escleroterapia com espuma. A técnica ganhou impulso pela eficácia, segurança, redução no tempo de recuperação e menores custos, inclusive, já foi aprovada e está em prática também no Sistema Único de Saúde (SUS).
A escleroterapia com espuma foi desenvolvida, a partir dos princípios da escleroterapia tradicional, aprimorada com o uso de ultrassonografia e espumas esclerosantes, eliminando os diversos paradigmas de tratamento. Para se ter uma ideia, a escleroterapia com espuma já é indicada para o tratamento da insuficiência venosa crônica na Europa, há mais de 30 anos. O método ganhou espaço, principalmente, entre indivíduos com manifestações mais graves da doença, como úlceras de perna, por exemplo, em idosos ou portadores de comorbidades.
Um estudo com base na análise retrospectiva de dados coletados do banco de dados DATA-SUS, de 2017 a 2024 apontou o crescimento na demanda pela técnica da escleroterapia com espuma. A análise focou no número de procedimentos de escleroterapia com espuma realizados em vários estados brasileiros, comparando-os com métodos cirúrgicos tradicionais. O processo avaliou tendências ao longo do tempo e analisou as estatísticas empregadas para avaliar o crescimento e as disparidades regionais com o tratamento. A análise de diversos estudos destacou uma tendência clara de crescimento no número brasileiro de procedimentos de escleroterapia, revelando uma aceitação crescente da técnica pelo SUS. A comparação dos dados, entre 2017 e 2024, registrou uma elevação significativa desse procedimento, destacando a região Nordeste.
Uma estimativa para o ano de 2024 destacou um número de sessões de escleroterapia com espuma que poderia chegar a meio milhão de procedimentos, apenas na rede pública. O dado reflete uma clara preferência pelo método e também uma transição definitiva da cirurgia convencional para métodos menos invasivos, impulsionada, especialmente, pela pandemia de COVID-19, responsável por limitar os procedimentos cirúrgicos mais invasivos em unidades hospitalares. A tendência foi corroborada por uma análise comparativa dos dados de tratamento, entre os anos 2019 e 2024, demonstrando uma redução nas cirurgias convencionais de varizes de MMII, enquanto o número de procedimentos com espuma quase quadruplicou.


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