Lucimar Souza – Jornalista
Produção em stop motion revela como a prática transforma projetos acadêmicos em experiências formativas e reconhecimento fora do país. Entre o sonho de um personagem que deseja ser astronauta e a realidade de um estudante que aprende fazendo, nasceu “Laranjinha”, curta-metragem de animação produzido na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O projeto, desenvolvido na Escola de Belas Artes, ultrapassou os limites da sala de aula e conquistou espaço em festivais nacionais e internacionais.
Mais do que uma produção audiovisual, o filme se tornou exemplo de como o processo criativo pode ser um instrumento de formação acadêmica. Criado em 2019, durante uma disciplina de roteiro visual, o projeto foi amadurecendo junto com o próprio aprendizado do diretor. “A criação foi lenta, assim como o aprendizado”, relata.
Graduando em Cinema de Animação e Artes Digitais, ele transformou o curta em um laboratório prático, desenvolvendo autonomia, organização e visão estratégica de projeto. Para tirar “Laranjinha” do papel, buscou formação complementar em assistência de produção, animação em stop motion, criação de bonecos e edição.
“Para a ideia, a sensibilidade é fundamental. Mas para executar, é técnica, concentração e muito trabalho”, explica o diretor, destacando que o processo exigiu dedicação intensa e constante aprimoramento.
Com poucos recursos financeiros, a equipe apostou na criatividade e na capacidade de adaptação — características marcantes da produção independente no Brasil. O trabalho foi desenvolvido de forma colaborativa, com participação de Ramona Visconti, Gabriel Freneda, Maira Alencar e Ryan Paiva, além do apoio de Alexandre Martins, Jéssica Souza e Gilliano Silva.
A trajetória artística do diretor também se expandiu para outras linguagens. Em 2025, ele ilustrou o livro infantil “Rimando o nome de Fulano”, da escritora Bárbara Vee, fundadora da Biblioteca Poesia de Status, onde também passou a desenvolver oficinas de artes.
No enredo de “Laranjinha”, um personagem que vive uma realidade simples alimenta o sonho de se tornar astronauta. A narrativa convida o público à reflexão sobre imaginação, perseverança e possibilidades. Com estética inspirada no universo infantil, o curta reforça o papel da criatividade no processo educativo.
“A escola é um lugar onde podemos aprender e colocar em prática histórias que talvez não surgiriam fora dela”, afirma.
O reconhecimento veio em forma de seleções para festivais no Brasil e no exterior, como o FIDA Chile (2025), o ARUCAD Cinematic Seeds Festival (Turquia, 2026), o AnimaVerso 2026 e o Chilemonos 2026.
Para quem deseja iniciar no audiovisual, o conselho do diretor é simples e acessível: “Você não precisa de muito. Papel, lápis ou um celular já são suficientes”.
“Laranjinha” demonstra que aprender vai além da teoria. Quando a prática se alia à criatividade e à persistência, a sala de aula pode se transformar em ponto de partida para trajetórias que ultrapassam fronteiras.

Deixar um comentário