Paula Guimarães, oftalmologista do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães

Quem já precisou afastar um objeto ou “apertar” um pouco os olhos para enxergar algo com melhor nitidez sabe o que é a presbiopia, ou a chamada vista cansada, como melhor conhece a população. A condição é recorrente para grande parte dos brasileiros, por volta dos 40 anos de idade, mas, agora, apresenta uma nova alternativa, aprovada nos Estados Unidos.

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora, acatou, pela primeira vez, o uso da pilocarpina para tratar a patologia. A verdade é que a substância não é nova, pois já é usada na oftalmologia há mais de cem anos. Para se ter uma ideia, foi muito tempo utilizada como alternativa para controlar outro problema ocular: o glaucoma.

O mecanismo de ação do colírio se baseia exatamente nessa contração: ao reduzir o diâmetro da pupila, funciona como o diafragma de uma câmera fotográfica, aumentando a profundidade de foco. O processo permite uma melhora da visão para perto e intermediária, embora à custa de menor entrada de luz no olho.

O efeito começa cerca de 15 a 30 minutos após a aplicação e dura em média seis horas (alguns estudos relatam até oito horas, mas não chega a dez horas). Os voluntários nos ensaios clínicos apresentaram melhoria significativa na leitura de perto: em torno de 30% a 40% conseguiram ganhar pelo menos três linhas de leitura em tabela padronizada, sem perda da visão de longe em condições de luz adequada.

A presbiopia é um distúrbio natural do envelhecimento ocular, causado pela perda progressiva da elasticidade do cristalino e da capacidade de acomodação. O resultado é a dificuldade para focalizar objetos próximos, especialmente para leitura, acompanhada de sintomas como fadiga ocular, dores de cabeça e necessidade de mais iluminação.

Assim como qualquer medicamento, o colírio não está livre de riscos. Os efeitos adversos descritos incluem visão turva transitória, dor de cabeça, desconforto ocular e, raramente, descolamento de retina em indivíduos predispostos. Além disso, pode prejudicar a visão noturna e não impede a progressão da catarata nem “cura” a presbiopia — trata apenas os sintomas.

O colírio é mais eficiente entre pessoas mais jovens, de 40 a 50 anos, momento em que a vista cansada começa a apresentar os primeiros sinais. O motivo está diretamente ligado à reserva de acomodação ocular, pois ao usar a substância, o mesmo terá uma adição à sua atual capacidade visual.

A recomendação é consultar um oftalmologista, antes de usar o colírio para compreender o estado da saúde ocular, evitando problemas graves, como o descolamento da retina. Vale recordar que a presbiopia não possui cura, sendo o óculos a solução natural para reversão dos sintomas. Algumas pessoas podem recorrer à cirurgia para reduzir ou até sanar a necessidade de óculos.