Lucimar Souza – Jornalista
“Rimando o Nome de Fulano”, de Bárbara Vee, com ilustrações de Isaias Pereira, aposta na musicalidade das palavras para fortalecer identidade, diversidade e alfabetização na infância. A literatura infantil brasileira ganha um novo convite à imaginação com o lançamento do livro Rimando o Nome de Fulano. A obra une poesia, ludicidade e representatividade ao transformar nomes próprios em versos acessíveis às crianças, criando uma experiência literária que dialoga diretamente com o processo de alfabetização e construção da identidade.
Além de autora, Bárbara Vee também é idealizadora e coordenadora da Biblioteca Comunitária Poesia de Status, iniciativa que promove o acesso à leitura e à produção literária em comunidades, reforçando o compromisso social presente em sua trajetória.
Poesia como porta de entrada para a leitura
Construído a partir dos chamados “poetins” pequenas poesias criadas desde 2020 o livro apresenta personagens inspirados em crianças e adolescentes reais. A proposta é simples e potente: rimar nomes para valorizar histórias, características e singularidades. A musicalidade dos versos aproxima o leitor infantil da linguagem escrita de forma natural, favorecendo habilidades como consciência fonológica, ampliação do vocabulário, percepção sonora das palavras e desenvolvimento do interesse pela leitura.
Representatividade e pertencimento
Mais do que um exercício poético, a obra dialoga com temas contemporâneos da educação, como diversidade e inclusão. Ao apresentar personagens com diferentes características físicas, sociais e culturais, o livro convida as crianças a se reconhecerem e a reconhecerem o outro dentro da narrativa. A escolha de trabalhar com nomes próprios reforça o sentimento de pertencimento elemento essencial no desenvolvimento emocional e social durante a infância.
Ilustração que amplia a narrativa
As imagens criadas por Isaias Pereira complementam o ritmo poético do texto, traduzindo visualmente a leveza e a diversidade propostas pela autora. As ilustrações atuam como extensão narrativa, permitindo que crianças ainda não alfabetizadas também participem da leitura por meio da interpretação visual.
Literatura, comunidade e acesso cultural
O livro nasce de um contexto de incentivo à cultura e democratização da leitura. A atuação da autora à frente da Biblioteca Comunitária Poesia de Status evidencia a relação entre produção literária e ação social, aproximando escritores e leitores e incentivando novas experiências com a literatura desde cedo.
Ao unir poesia, identidade e educação, Rimando o Nome de Fulano reafirma o papel da literatura infantil como espaço de acolhimento e descoberta. A obra demonstra que aprender a ler pode começar pelo som do próprio nome um dos primeiros vínculos da criança com o mundo e consigo mesma.

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