Lucimar Souza – Jornalista

Em tempos de debates sobre ampliação da jornada escolar no Brasil, a comparação internacional revela que o tempo de aula, embora importante, não é o único fator que determina a qualidade do ensino. Países com menor carga horária se destacam em avaliações internacionais, mostrando que o uso pedagógico do tempo é essencial para o aprendizado. A legislação brasileira determina uma carga horária mínima de 800 horas anuais para o ensino fundamental, distribuídas em, no mínimo, 200 dias letivos.

Isso representa uma média diária de cerca de quatro horas em sala de aula. No entanto, a jornada ampliada tem ganhado espaço, buscando oferecer atividades complementares e reforço escolar. No entanto, países como a Finlândia, referência mundial em educação, adotam jornadas mais curtas, de cerca de quatro a cinco horas diárias, focando no bem-estar dos alunos e no aprendizado significativo. Segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), esses países alcançam altos índices em avaliações internacionais, como o PISA.

O Japão, por outro lado, apresenta uma carga horária um pouco maior, entre cinco e seis horas diárias, complementada por aulas extracurriculares chamadas “jukus”. Já os Estados Unidos exibem uma grande variação conforme o estado, mas em média os alunos passam de seis a sete horas diárias na escola. Embora o aumento da carga horária seja apontado por muitos como solução para melhorar a educação, especialistas alertam que essa não é uma fórmula mágica. Eric Hanushek, economista da educação da Universidade Stanford, destaca que a qualidade do tempo em sala de aula é mais importante do que sua duração.

A OCDE corrobora essa visão, mostrando que países com jornadas menores, como a Estônia e a Finlândia, obtêm resultados superiores em leitura, matemática e ciências no PISA, em comparação a nações com cargas horárias mais extensas. Além disso, mitos comuns como “países desenvolvidos têm jornadas longas” ou “ensinar mais conteúdo exige mais horas de aula” são desmistificados por pesquisas que apontam a importância da metodologia, formação docente e ambientes escolares estimulantes.

O debate sobre ampliação da jornada escolar no Brasil deve considerar que a quantidade de horas não é o único nem o principal fator para o sucesso educacional. Políticas públicas que valorizem a qualidade do ensino, a formação dos professores e o bem-estar dos estudantes são fundamentais para transformar o tempo em sala de aula em aprendizado efetivo.