Lucimar Souza – Jornalista

Agosto é marcado, no Brasil, como o Mês da Primeira Infância, conhecido também como Agosto Verde, período dedicado a refletir sobre os direitos e a importância dos primeiros anos de vida. Em 2024, mais de 9,4 milhões de crianças estavam matriculadas na educação infantil no país, um aumento em relação ao ano anterior, que reforça que creches e pré-escolas são cada vez mais procuradas pelas famílias. Pesquisas mostram que os estímulos recebidos até os seis anos influenciam diretamente a aprendizagem futura, a saúde emocional e até as relações sociais que a criança irá desenvolver ao longo da vida.

Mas, apesar da relevância, muitos equívocos e preconceitos ainda cercam o tema. Será que a creche é apenas um lugar para “guardar” crianças? Brincar é realmente perda de tempo? E se déssemos voz às crianças, o que elas nos diriam sobre esse espaço que é, ao mesmo tempo, escola, lar temporário e lugar de descobertas? O Agosto Verde convida pais, professores e toda a sociedade a repensarem a infância, desmistificando velhas ideias e ouvindo os verdadeiros protagonistas: as crianças.

Mitos e Verdades da Educação Infantil
Mesmo sendo uma etapa garantida por lei e reconhecida como essencial, a educação infantil ainda carrega rótulos que atrapalham sua valorização. Para ajudar a quebrar barreiras, listamos alguns dos principais mitos e verdades:
“Criança pequena não aprende nada na creche” – MITO.
Na verdade, a aprendizagem acontece a todo instante: ao brincar, cantar, interagir com colegas e professores. Cada experiência amplia a linguagem, a coordenação motora e a capacidade de se relacionar.
“Brincar é perda de tempo” – MITO.
Brincar é o coração da infância. Jogos, rodas cantadas e atividades lúdicas são fundamentais para desenvolver a criatividade, a resolução de problemas e até a base da alfabetização.
“A família deixa de ser importante quando a criança entra na escola” – MITO.
Nada substitui o vínculo familiar. O aprendizado se fortalece quando casa e escola caminham juntas. A participação da família é decisiva para que a criança se sinta segura e confiante.
“Professor de educação infantil é apenas cuidador” – MITO.
Os educadores dessa etapa têm formação específica e desempenham papel essencial no desenvolvimento integral da criança. Além do cuidado, trabalham planejamento pedagógico, afetividade e mediação das descobertas.
“Estimulação precoce melhora o futuro da criança” – VERDADE.
Estudos comprovam que investir nos primeiros anos de vida tem impacto direto no desempenho escolar e até na vida adulta, reduzindo desigualdades e aumentando oportunidades.
“A escola pode ser espaço de inclusão desde cedo” – VERDADE.
Ambientes inclusivos favorecem não apenas a criança com deficiência ou atraso no desenvolvimento, mas toda a turma. O convívio com a diversidade ensina empatia, solidariedade e respeito.
“A escola tem papel essencial na detecção precoce de dificuldades” – VERDADE.

Muitas vezes, professores são os primeiros a notar sinais de atraso na fala, dificuldades motoras ou comportamentos que podem indicar transtornos de desenvolvimento. Essa observação, aliada ao diálogo com a família, contribui para encaminhamentos e intervenções rápidas, que fazem toda a diferença no futuro da criança.

A Voz das Crianças
E se fossem as crianças a nos contar o que a escola representa?
Nas entrelinhas dos desenhos, nas frases espontâneas e até nos gestos, está a visão pura e direta da infância. Aqui, alguns exemplos do que elas já disseram a educadores e pais — frases simples, mas cheias de significado:
“A escola é onde eu brinco com meus amigos.”
“Eu gosto quando a professora lê histórias, porque parece que a gente entra dentro delas.”
“Aqui eu posso desenhar o que eu sonho.”
“Na escola eu tenho almoço gostoso e posso dividir com meus colegas.”

Essas vozes revelam que, para a criança, a escola é muito mais que um espaço de alfabetização: é território de afetos, segurança e descobertas. O Agosto Verde, ao lembrar a sociedade da importância da primeira infância, também nos desafia a ouvir com atenção essas falas pequenas no tamanho, mas imensas no sentido. O Agosto Verde não é apenas uma campanha de conscientização: é um convite para valorizar e investir nos primeiros anos de vida, reconhecendo que educação infantil de qualidade transforma vidas. Pais, professores e toda a sociedade têm um papel ativo nesse processo: ouvir, cuidar, estimular e, principalmente, aprender junto com as crianças. Afinal, na infância se constroem os alicerces de um futuro que pode ser mais justo, saudável e humano.