A implementação da Tarifa Zero no transporte público tem ganhado espaço no Brasil e no mundo. Para entender melhor essa política e seus impactos, o jornalista Marcos San Juan entrevistou o pesquisador Giancarlo Moreira Gama, mestre em políticas públicas pela Universidade de Oxford (Inglaterra), ativista político e ex-vereador de Cabreúva (SP). Atualmente, ele auxilia cidades brasileiras na implementação desse modelo.

Segundo Giancarlo, um dos maiores mitos sobre a Tarifa Zero é a ideia de que a medida é financeiramente inviável. No entanto, ele aponta que 90% das cidades que adotaram o transporte gratuito destinam menos de 2% de seus orçamentos anuais para custear o serviço – um valor menor que o gasto com a coleta de lixo, por exemplo.

Outro ponto relevante levantado pelo especialista é o impacto da Tarifa Zero na mobilidade urbana. Com a gratuidade, há um aumento expressivo no número de usuários do transporte público, o que leva à redução do uso de veículos particulares, diminuindo congestionamentos e os níveis de emissões de poluentes.

A política de gratuidade também desempenha um papel social e econômico fundamental. “A Tarifa Zero facilita o acesso da população de baixa renda à educação, ao trabalho e aos serviços de saúde, promovendo mais equidade”, explica Giancarlo. Além disso, cidades que implementaram a medida registraram aumento na arrecadação de impostos e atração de novas empresas, demonstrando que a gratuidade no transporte pode impulsionar o desenvolvimento local.

Com exemplos positivos em diversos municípios, a Tarifa Zero surge como uma alternativa viável para melhorar a mobilidade urbana e a qualidade de vida dos cidadãos. O debate sobre a possibilidade de implementação dessa política em Esmeraldas está apenas começando, mas os estudos apontam que a gratuidade pode ser um caminho sustentável para um transporte mais acessível e eficiente.