A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda de 150 a 300 minutos de atividade física moderada por semana, mas destaca que qualquer aumento no nível de exercício já pode trazer benefícios à saúde.

Como a rotina e as condições físicas mudam ao longo da vida, adaptar a prática de exercícios pode ser uma estratégia para manter a regularidade.

Segundo Eduardo Neto, educador físico, mestre em motricidade humana e diretor técnico do grupo Bodytech, mudanças na frequência, duração e modalidade dos treinos podem ajudar a preservar o hábito mesmo diante de novas demandas. Trabalho, filhos, viagens, mudanças de cidade e outras situações podem reduzir o tempo disponível para a atividade física.

“Não é necessário e nem possível manter o mesmo treino durante toda a vida. O exercício precisa acompanhar as nossas mudanças de rotina, de objetivos e das condições físicas de cada fase. O importante é encontrar uma forma possível de continuar ativo”, afirma. A atividade física regular está associada à redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer, depressão e ansiedade. Também contribui para a manutenção da autonomia e da capacidade cognitiva durante o envelhecimento.

A adaptação pode envolver intensidade ou modalidade. Quem antes corria, por exemplo, pode optar por musculação, natação, pilates ou caminhadas. Da mesma forma, uma hora de treino pode ser temporariamente substituída por períodos mais curtos, de acordo com a disponibilidade.

“O mais importante é não interpretar uma redução na frequência ou na duração do treino como motivo para abandonar a atividade. Mesmo uma prática menor do que a habitual pode ser uma maneira de preservar a continuidade do movimento”, completa o especialista.

EXEMPLO NA PRÁTICA

Maria do Socorro Vale, conhecida como Lia, completou 89 anos e mantém uma rotina ativa. Desde 2004, frequenta a academia diariamente, mas conta que sempre procurou praticar atividades físicas.

“Desde a época do ginásio, como era a escola no meu tempo, eu amava esportes. Nunca faltei a uma aula de educação física e gostava de jogar pingue-pongue e correr”, relembra.

Ao longo da vida, Lia enfrentou mais de 20 fraturas e atualmente se recupera de uma fratura no fêmur, que exigiu cirurgia para colocação de pinos. Segundo ela, os médicos relacionam a boa recuperação à prática de exercícios e à musculatura desenvolvida ao longo dos anos.

Na Bodytech Ponteio, Lia pratica musculação com acompanhamento profissional e participa de aulas como fit dance, dança do ventre, hidroginástica e mat pilates.

Para ela, manter-se ativa também está relacionado ao prazer e à convivência social. “Para mim é igual ir ao cinema, não é uma obrigação, é algo que faço por gostar, que me dá oportunidade de interagir e ter vida social também.”

“Faço isso por mim e pela minha saúde e independência, mas também para os meus filhos, que não precisam cuidar de mim e podem viver suas vidas sem se preocupar”, conclui.