Paula Guimarães, oftalmologista do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães

As infecções são perigosas e devem sempre ser investigadas. O vencedor da primeira edição do MasterChef Confeitaria, César Yukio, compartilhou o diagnóstico de celulite pós-septal em suas redes sociais. A condição é grave, sendo capaz de provocar perda da visão e se espalhar para o cérebro.

A patologia também é chamada de celulite orbitária, considerada um tipo de infecção grave, acometendo os tecidos profundos oculares, atrás do septo orbitário – uma membrana de tecido fibroso em torno dos olhos. O problema é uma urgência médica e causa inchaço, dor considerada forte ao mexer o olho, visão embaçada e/ou dupla e vermelhidão.

Os maiores sinais de alerta são a percepção de olho para frente ou saltado da órbita, redução da capacidade visual e a limitação ou paralisação dos movimentos oculares, a chamada oftalmoplegia.

A princípio, Yukio notou a presença de um ponto vermelho no olho, mas não se preocupou. Posteriormente, outros sinais apareceram, como o inchaço e pensou ser terçol ou uma espinha, até que precisou ir ao hospital.

A situação decorre de fatores como sinusite, infecções nos dentes, feridas, ou coçar os olhos sem as mãos estarem higienizadas. Contudo, também é preciso alertar para riscos menos frequentes, como traumas na região ocular, presença de corpos estranhos (ciscos), cirurgias oftalmológicas ou orbitárias.

Apesar de poder afetar pessoas de todas as idades, a patologia é mais comum entre crianças, devido aos hábitos do grupo e características ósseas, pois o nariz ainda está em formação, apresentando paredes finas e porosas, facilitando a disseminação de bactérias.

O diagnóstico é clínico com exames oftalmológicos e físicos, além de pedidos para avaliações de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Uma hemocultura também é opção para coleta de material e identificação da bactéria.

A internação deve ser imediata para tratamento com a aplicação de antibióticos na veia. Uma cirurgia de drenagem pode ser necessária para remover o excesso de pus, acumulado nos seios da face ou na órbita, aliviando a pressão ocular.

A evolução clínica permite a transição para o uso de antibióticos de via oral e todo o processo costuma levar entre duas a três semanas, variando conforme a gravidade do caso e a resposta aos medicamentos.

A falta de cuidados leva à uma eventual perda da visão e extensão dos danos ao cérebro, causando meningite – uma inflamação das membranas envolvendo e protegendo o cérebro e a medula espinhal -, abscesso cerebral e trombose no seio cavernoso, obstruindo veias importantes na base do crânio e afetando a circulação sanguínea na região.