O cheiro de material novo e a ansiedade para conhecer a turma marcam o início de um dos períodos mais importantes para os alunos: a volta às aulas.
Para as crianças que estão ingressando na Educação Infantil ou no Ensino Fundamental Anos Iniciais, esse momento é um processo complexo de adaptação escolar.
A diretora-pedagógica da Educação Infantil da Rede Alfa CEM Bilíngue, Profª Mariane Araújo, ressalta que a forma como a criança atravessa essas primeiras semanas pode ditar sua relação com o conhecimento pelos próximos anos. “A escola é o primeiro microssistema social fora da família. Se a transição é traumática, o cérebro entende que aquele ambiente é hostil”, comenta. Nos primeiros anos de vida, o sentimento de segurança é a base para qualquer descoberta.
A educadora explica que quando uma criança entra em um ambiente desconhecido, seu sistema límbico responsável pelas emoções entra em estado de alerta. Uma adaptação gradual ajuda a reduzir os níveis de cortisol (hormônio do estresse), permitindo que o foco mude do “medo do abandono” para a “curiosidade de aprender”.
“A fase de adaptação escolar é um marco importante, tanto para a criança quanto para a família. A maneira como os responsáveis lidam com os momentos de separação e reencontro pode influenciar significativamente a segurança emocional do pequeno e a duração do processo de adaptação”, explica Mariane.
A educadora dá algumas dicas de como tornar esse momento mais leve para o aluno:
Despedida de “um minuto”: muitos pais, na tentativa de acalmar a criança, acabam prolongando o momento da saída, cedendo a pedidos de “só mais um abraço” ou “fica só mais um pouquinho”. Prolongar a despedida tende a aumentar a angústia da criança e a insegurança dos pais.
“O ideal é que a despedida seja firme, carinhosa e, acima de tudo, breve. Um abraço apertado, uma frase de carinho e um tchau decidido. Ao sair, transmita confiança de que a criança está segura e será bem cuidada. A firmeza dos responsáveis é o que, paradoxalmente, traz segurança à criança”, ressalta a diretora-pedagógica.
Promessa do retorno: crianças pequenas, especialmente aquelas abaixo dos quatro anos, ainda não têm a noção de tempo abstrato (horas, minutos) completamente desenvolvida. Dizer “volto às cinco da tarde” não faz sentido para elas.
Para que a promessa do retorno e gere menos ansiedade, ela deve estar atrelada a eventos concretos e rotineiros do ambiente escolar. Dizer “volto depois do seu lanche” ou “a mamãe chega depois da sua soneca” é muito mais claro e reconfortante do que usar horários. A criança consegue visualizar o evento e antecipar o reencontro.
Como observar a adaptação?
Existem alguns fatores que os responsáveis podem esperar durante o processo de adaptação da criança ao ambiente escolar e estes podem ser divididos em três fases principais.
“Nos primeiros dias, o comportamento mais comum é a manifestação de intensa curiosidade ou choro na hora da entrada. O papel dos responsáveis nesse momento é manter a calma e, principalmente, confiar na equipe escolar”, afirma Mariane.
Em seguida, a segunda fase é marcada pela percepção da criança de que a ida à escola será diária, o que pode levá-la a relutar em ir. Logo, a atitude dos Responsáveis deve ser de reforçar os pontos positivos da escola e manter a rotina estabelecida. Por fim, a fase de Estabilização é caracterizada pela criação de vínculos significativos com professores e colegas.
“A adaptação não tem um prazo de validade fixo. Enquanto algumas crianças se sentem em casa em algumas horas, outras precisam de mais momentos de observação e paciência. O sucesso desse rito de passagem não é medido pela ausência de choro, mas pela construção de uma ponte de confiança entre a casa e a sala de aula”, finaliza a diretora-pedagógica.
Fonte: Rede Alfa CEM Bilíngue

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