Juliana Guimarães, oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães
Apesar de benéfica, a prática esportiva desencadeia lesões, sendo que algumas delas são bastante sérias, até mesmo, comprometendo a qualidade da visão. O jogador de basquete Anthony Davis contou que deverá usar óculos, durante toda a sua carreira como jogador, após passar por cirurgia para corrigir um descolamento de retina. O problema surgiu em abril, depois de uma cotovelada acidental no olho durante uma partida. Apesar de rapidamente ter retornado à quadra, após cuidados, ele fez exames que identificaram o problema e indicaram a necessidade de passar pelo procedimento durante a “off season”, ou seja, fora da temporada.
O descolamento de retina é extremamente grave, sendo considerado uma emergência oftalmológica. A condição ocorre quando a retina, a fina camada de tecido na parte posterior do olho se separa do tecido de suporte, normalmente, devido à formação de buracos na retina, miopia grave, cirurgia de catarata, envelhecimento, diabetes, glaucoma, degeneração, tumores, inflamações e traumas oculares – como o caso do jogador, ou em acidentes automobilísticos.
Os principais sintomas são perda da visão, muitas vezes descrita como uma cortina ou sombra, presença de moscas volantes e flashes de luz no campo de visão. Vale ressaltar que, apesar da gravidade, o descolamento não é uma condição dolorosa. O diagnóstico depende de um mapeamento de retina: a fundoscopia. O exame requer dilatação para visualizar a camada adequadamente, quando sangramentos ou opacidades são encontrados, um ultrassom ocular é recomendado. A retinografia e a Tomografia de Coerência Óptica (OCT) também podem ser solicitadas para mais detalhes do quadro.
O tratamento varia conforme a condição ocular. A fotocoagulação a laser ou crioterapia é usada em estágios iniciais, quando apenas um rasgo é encontrado. O congelamento cria uma cicatriz para impedir a progressão do descolamento. A retinopexia pneumática é considerada o procedimento menos invasivo, injetando uma bolha de gás no olho para pressionar a retina. Já a introflexão escleral, usa uma faixa de silicone, colocada ao redor do olho, para fixar a parede do órgão.
Contudo, o método mais popular é a vitrectomia, intervenção moderna e com alta taxa de sucesso em casos complexos, utilizada para descolamentos maiores. O processo remove o gel vítreo do interior do olho, substituindo por gás, óleo de silicone ou outro produto, visando manter a retina no lugar durante a cicatrização.
O pós-operatório requer bastante cuidado, envolvendo uso de tampão, repouso ocular e evitar esforço físico. O tempo de recuperação varia conforme a extensão dos danos.
Após o procedimento, Anthony apareceu com vermelhidão no olho direito, sendo um efeito dos colírios pós-operatório, compartilhando ainda, a notícia que os cuidados devem permanecer. Como o basquete é um esporte de contato, a recomendação médica é o atleta usar óculos para evitar futuras lesões por impacto e preservar a visão por mais tempo.
É importante esclarecer que não existe um óculos próprio para prevenir o descolamento de retina, sendo que o utilizado pelo jogador, é específico para atletas, protegendo a visão de objetos, raios ultravioleta e do vento, contendo grau ou não.


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