A escola, vista tradicionalmente como um local de instrução acadêmica, também tem um papel importante na construção da saúde mental dos alunos. O ambiente escolar saudável é uma das linhas de defesa contra o aumento de problemas como ansiedade, depressão e burnout na juventude.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em um estudo publicado em 2024 no Journal of Adolescent Health, conduzido pela OMS e junto da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, um em cada sete adolescentes enfrentam questões envolvendo saúde mental, como ansiedade e depressão. O diretor-pedagógico do Ensino Fundamental Anos Finais e Ensino Médio da Rede Alfa CEM Bilíngue, Rafael Galvão, explica como essa transformação, que exige uma abordagem multifacetada, se concretiza na prática.
“A função da escola é intrinsecamente preventiva. O primeiro passo é capacitar o aluno, construindo uma base de resiliência por meio da autonomia intelectual, ao capacitar os alunos a pensar criticamente, resolver problemas complexos e gerenciar desafios acadêmicos com o suporte adequado. Essa capacidade de autogestão e adaptação é fundamentalmente protetiva contra a ansiedade e o burnout”, explica o educador.
Segundo Galvão, o ambiente acadêmico, muitas vezes marcado pela pressão, é equilibrado com o desenvolvimento de habilidades de gestão do tempo e técnicas de estudo eficientes, mitigando a ansiedade de desempenho e promovendo um aprendizado mais significativo.
O cuidado como parte da educação
Além da resiliência individual do aluno, no entanto, o espaço coletivo de apoio deve ser amplamente abordado pela própria escola. A promoção ativa de uma cultura de confiança e proximidade é o que leva o aluno a se sentir acolhido.
“Essa cultura se materializa em programas de mentoria, aconselhamento individualizado e canais abertos para que os estudantes se sintam seguros para expressar suas preocupações. A identificação precoce de sinais de sofrimento é facilitada por essa relação”, afirma o diretor.
Um fator, muitas vezes subestimado, é a saúde mental dos próprios educadores e colaboradores. Segundo Galvão, a relação entre o bem-estar do educador e o do estudante é direta e inegável, funcionando como um “efeito cascata”.
“Educadores que demonstram equilíbrio emocional, resiliência e habilidades de autogestão servem como modelos positivos para os alunos. Eles ensinam, não apenas com palavras, mas com o próprio exemplo, como lidar com o estresse e as pressões,” pontua o Galvão.
Além disso, para o educador, professores que se sentem apoiados e valorizados tendem a criar uma sala de aula mais empática e menos estressante, favorecendo a concentração e o aprendizado do aluno.
Outro ponto importante para o diretor é a organização da rotina, que precisa incluir carga horária e busca por resultados, mas também deve ser estruturada com pausas estratégicas e suporte pedagógico contínuo.
“A busca por resultados acadêmicos de alto nível e a preparação intensiva para desafios como o ENEM exigem uma carga horária grande. No entanto, as pausas e as áreas de descanso também devem incentivar a socialização e a descompressão, para que os alunos possam recarregar energias e fortalecer o senso de comunidade”, finaliza Galvão.

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