O Jornal Digital Esmeraldas recebeu, entre os dias 20 e 21 de agosto, diversos registros de moradores dos bairros Vista Alegre, Padre João, Vinháticos e Bambus, em Esmeraldas, relatando uma alteração preocupante no Rio Paraopeba: a água, que estava com aspecto normal no domingo (20), amanheceu na segunda-feira com uma coloração branca leitosa.

De acordo com a moradora Patrícia Passarela, liderança local na mobilização por reparação aos atingidos, a situação pegou todos de surpresa. A primeira suspeita foi das dragas posicionadas na proximidade para extração da areia, mas os funcionários no local negaram qualquer problema. Nunca ficou assim. Solicitei na comunidade para ninguém comer peixe, nem fazer outra atividade no rio, alertou. Nos últimos dias, moradores também registraram peixes mortos às margens do rio, inclusive exemplares de grande porte. Patrícia ressalta o impacto que a mortandade traz para comunidades como Taquaras, cuja principal renda sempre foi a pesca:

Taquaras é comunidade do turismo da pesca. 

Todos aqui viviam desse turismo. Mesmo com a contaminação do rio após o rompimento da barragem, muitos voltaram a usá-lo porque é cultural. O rio é utilizado para pesca, irrigação e lazer. Muitos peixes desapareceram, mas outros parecem ter se adaptado à contaminação. Outra preocupação levantada pelos moradores é que alguns peixes mortos estariam sendo recolhidos para comercialização, o que aumenta o risco à saúde da população.

A Vale informou que o monitoramento automático do Rio Paraopeba registrou um pico de turbidez na segunda-feira (21/07), em trecho a jusante do local relatado. Equipes irão a campo para avaliar a situação. A empresa ressaltou que não possui operações em Esmeraldas nem realizou atividades recentes no local. Segundo a mineradora, desde 2019 o monitoramento mostra melhora progressiva na qualidade da água, com condições semelhantes às registradas antes do rompimento, inclusive em regiões não atingidas.

A saúde e reprodução dos peixes também estariam equivalentes entre áreas afetadas e não afetadas. Quanto à remoção de rejeitos, a maior concentração (32%) está nos dois primeiros quilômetros do rio, com conclusão da operação prevista para 2025.

Diante da gravidade da situação, o Jornal Digital Esmeraldas entrou em contato com a Assessoria de Comunicação (ASCOM) solicitando uma nota oficial sobre o ocorrido, a fim de esclarecer se os órgãos competentes já estão cientes do problema e quais providências estão sendo tomadas em relação à mortandade dos peixes e à qualidade da água.

NOTA
Sobre a ocorrência de mortes de peixes no Rio Paraopeba, informamos que o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), responsável pela operação da rede de monitoramento da bacia do Rio Paraopeba, está realizando coletas emergenciais na área afetada, para realização de análises laboratoriais.  Equipes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e da Polícia Militar de Meio Ambiente também estão em campo, averiguando possíveis causas para o ocorrido. 
As medidas para mitigar os impactos ambientais serão definidas a partir dos resultados das investigações e do monitoramento contínuo realizado pelos órgãos competentes. O Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) reforça seu compromisso com a proteção dos recursos hídricos e a preservação ambiental, e poderá disponibilizar outras informações, conforme o andamento dos trabalhos no local.

Fotos enviadas por moradores mostram a situação em pontos como a Fazenda da Ponte, Vista Alegre, Padre João, Vinháticos e Bambus.

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