Juliana Guimarães, oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães

Qualquer pessoa está sujeita a um acidente, sendo que, alguns deles podem ser mais graves, inclusive, provocando concussão. A condição compromete a saúde ocular, contudo, uma nova técnica de rastreamento está permitindo que os problemas sejam mais rapidamente identificados. Para se ter uma ideia, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) aponta uma média de 3,8 milhões de vítimas de concussão por ano, sendo que 69% delas afirmam sofrer algum tipo de alteração visual não identificada em exames neurológicos, considerados padrão. A concussão decorre de uma forte movimentação do cérebro dentro do crânio, devido a um impacto direto ou a deslocamento brusco. Normalmente, a mesma situação ocorre em acidentes, quedas e esportes de contato, como o boxe, judô, jiu-jitsu e futebol americano.

O fato provoca consequências oculares mais comuns, como dor ocular; visão embaçada; visão dupla; sensibilidade à luz; dificuldade para focalizar objetos, principalmente de perto – dificuldades para ler – causando cansaço – e problemas no deslocamento dos olhos para acompanhar objetos em movimento.

As sequelas variam em duração, dependendo do nível de gravidade da lesão, existindo a possibilidade de permanecerem pela vida. Uma das soluções mais modernas e eficientes para identificar as variações rapidamente, está no método chamado Eye Tracker, ou, rastreamento ocular. A tecnologia usa luz infravermelha para medir e registrar movimentos oculares, visando identificar e compreender comportamentos visuais, percepção e atenção. O processo não é invasivo, servindo para pessoas de qualquer idade.

As pesquisas confirmam a eficiência do processo, como o estudo publicado no Journal of Sport and Health Science, sendo um procedimento complementar a aqueles utilizados, propiciando resultados extremamente positivos, mesmo nas condições mais discretas, como nos movimento sacádicos e dificuldade de acomodação – para alterar o foco entre objetos e o de perseguição suave – para acompanhar os objetos.

O diagnóstico preciso e rico em detalhes permite estabelecer planos de reabilitação personalizados, integrados à avaliação pós-concussão, afinal, os cuidados devem ser multiprofissionais, envolvendo por exemplo, neurologistas.
O método é um grande avanço oftalmológico, porém, a presença do equipamento ainda é bastante limitada no Brasil, pois muitos profissionais ainda não têm conhecimento adequado para usá-lo.

Vale destacar que, em Minas Gerais, somente o Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães possui essa tecnologia para avaliações médicas e a indicação de cuidados assertivos. O rastreamento também já é utilizado em muitas outras áreas, como o marketing, mas, para a saúde, ainda é capaz de identificar sinais de outras patologias e transtornos, como o alzheimer e o autismo.