A menopausa, fase natural da vida da mulher marcada pelo fim da menstruação e da fase reprodutiva, ainda é cercada de tabus, invisibilidade e desinformação.
O Fantástico, da TV Globo, exibiu uma reportagem especial sobre o tema, reforçando um debate urgente: como acolher melhor as mulheres que enfrentam os sintomas físicos, emocionais e sociais desse período?
Segundo estimativas globais, até 2030 cerca de 1,2 bilhão de mulheres estarão na menopausa ou pós-menopausa, com 47 milhões entrando nessa fase a cada ano. No Brasil, pesquisas recentes mostram que 79% das mulheres relatam impactos psicológicos negativos durante a menopausa, como ansiedade, depressão e constrangimento. Mais grave: quase metade diz enfrentar dificuldades no ambiente de trabalho devido aos sintomas.“É um tema cercado de silêncio. Muitas mulheres sentem vergonha de falar sobre isso, e o resultado é sofrimento em silêncio”, explica a médica ginecologista Maria Tereza Silva, especialista em saúde da mulher.
Sintomas e impacto social
A menopausa não afeta apenas o corpo. Ondas de calor, insônia, alterações de humor, ganho de peso, secura vaginal e perda de memória são apenas alguns dos sintomas. Estudos apontam que mais de 80% das mulheres passam por fogachos as conhecidas ondas de calor. Além disso, há impacto direto na vida social e profissional. Muitas relatam perda de produtividade, dificuldades de concentração e discriminação no trabalho. “É um problema de saúde, mas também de direitos humanos e dignidade”, destaca a psicóloga Ana Cláudia Nogueira.
Tratamentos: da reposição hormonal às alternativas naturais
A principal forma de tratamento é a terapia de reposição hormonal (TRH), considerada o método mais eficaz para combater sintomas graves. Estudos recentes indicam que a TRH pode reduzir em até 75% a frequência das ondas de calor e melhorar a qualidade de vida.
Por muitos anos, porém, a reposição hormonal foi vista com receio, associada a riscos de câncer e doenças cardiovasculares. Pesquisas mais recentes mostram que, quando indicada corretamente e de forma personalizada, a TRH pode ser segura — especialmente quando iniciada antes dos 60 anos e nos primeiros anos após a menopausa.
Além da TRH, outras alternativas têm ganhado espaço:
Hormônios bioidênticos, ainda em estudo, mas com promessa de menor efeito colateral;
Mudanças no estilo de vida, como atividade física, alimentação balanceada e técnicas de relaxamento;
Fitoterápicos e suplementos naturais, como isoflavonas, que podem reduzir ondas de calor em alguns casos;
Terapias não hormonais, incluindo acompanhamento psicológico, lubrificantes vaginais, acupuntura e até tratamentos estéticos funcionais, como laser íntimo.
Um tema de saúde pública
Especialistas alertam que o Brasil precisa discutir políticas públicas para ampliar o acesso das mulheres a tratamentos adequados. Muitas ainda enfrentam falta de informação, alto custo de medicamentos e dificuldade para encontrar médicos preparados para orientar essa fase. No Senado, já existem debates sobre a criação de programas específicos no SUS para atender mulheres na menopausa, garantindo acolhimento integral e acesso a terapias de qualidade.
A reportagem exibida no Fantástico abriu espaço para um debate que vai muito além da saúde feminina: trata-se de uma questão social, de dignidade e de direitos. Com o avanço das pesquisas e a quebra de tabus, a expectativa é que as mulheres possam viver a menopausa não como um problema, mas como uma nova etapa da vida, com qualidade, informação e cuidado.

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