A água é um recurso essencial para a vida, para a saúde e para a dignidade das famílias. No entanto, em Esmeraldas, a falta de abastecimento tem se tornado uma realidade diária para milhares de moradores, que já não suportam mais conviver com torneiras secas e respostas que mudam a cada dia.

No último fim de semana, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) informou que o desabastecimento ocorria devido à manutenção na rede, provocada pelo nível baixo do reservatório Cruzeiro, em razão de uma falha eletromecânica no booster Veneza. Segundo o comunicado oficial, a previsão de normalização do serviço seria até o dia 11 de janeiro de 2026, às 20h30.

Entretanto, nesta segunda-feira (12), a população foi surpreendida por uma nova justificativa. A Copasa passou a informar que o problema estaria relacionado à recuperação do macrosistema, afetando os bairros Santa Cecília e São Pedro, com nova previsão de solução para o dia 12 de janeiro de 2026, também até às 20h30. Enquanto os comunicados se alternam, a realidade dentro das casas permanece a mesma: mais um dia sem água, dificultando tarefas básicas como cozinhar, limpar a casa, cuidar da higiene pessoal e manter a rotina familiar. O sentimento predominante entre os moradores é de cansaço, indignação e abandono, diante de um problema que parece estar longe de uma solução definitiva.

Moradora do bairro São Pedro há oito anos, Flávia relata que a falta de água faz parte do cotidiano e impacta diretamente sua vida.
“Praticamente todos os dias a água vai embora. Ela costuma voltar só de madrugada e, por volta das 10h ou 11h da manhã, já falta de novo. Tenho que acordar muito cedo quando quero fazer os afazeres de casa, como arrumar a casa e lavar roupas. O que mais tira a minha paz é que não recebo mais quase ninguém em casa. Fico sem jeito de convidar visitas, porque nos fins de semana geralmente ficamos sem água, como aconteceu no sábado e no domingo passados. Confesso que o que antes era motivo de alegria, que é ter a minha casa, hoje tem me dado desgosto. Quando não é a falta de água, são os picos de luz. Eu não aconselho ninguém a comprar casa aqui. É um lugar onde ficamos por nossa própria conta.”

Para agravar ainda mais a situação, leituristas da Copasa continuam passando nas residências para realizar a leitura e a cobrança do consumo, o que aumenta a revolta da população. Para muitos moradores, a conta chega em dia, mas o serviço essencial não.

A população cobra transparência, planejamento e uma solução concreta, além de respeito com quem paga por um serviço que não está sendo prestado de forma regular. A falta de água em Esmeraldas deixou de ser um episódio pontual e passou a ser um problema recorrente, que exige respostas claras e ações efetivas das autoridades e da concessionária responsável.