O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, costuma ser lembrado com flores, mensagens e homenagens.
Mas para muitas mulheres, a data também é um momento de reflexão sobre desafios que ainda persistem, como a desigualdade, a sobrecarga de responsabilidades e, principalmente, a violência.
Nos últimos anos, o Brasil tem registrado aumento nos casos de violência contra a mulher, incluindo agressões físicas, psicológicas e feminicídios. A data, portanto, não é apenas simbólica ela se torna um chamado para que a sociedade discuta mudanças reais e urgentes. Em cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, como Ribeirão das Neves e Esmeraldas, mulheres compartilham histórias que revelam força, indignação e esperança.
“Não quero flores, quero respeito” Moradora de Ribeirão das Neves, Carla Mendes, 39 anos, mãe de dois filhos e trabalhadora do comércio, diz que o 8 de março precisa ir além das homenagens. “Todo ano chega o Dia da Mulher e a gente recebe mensagem bonita, parabéns, flores… mas no dia seguinte tudo volta ao normal. O que eu quero não é presente, é respeito. É poder voltar para casa sem medo, é saber que minha filha vai crescer em um mundo onde ser mulher não seja um risco”, afirma. Para ela, a violência contra a mulher ainda é um problema tratado com silêncio em muitas famílias e comunidades.
“Tem muita mulher que sofre calada porque tem medo ou depende financeiramente do agressor. Enquanto isso não mudar, a gente não pode dizer que avançou de verdade.”
“Ser mulher também é resistir todos os dias” Em Esmeraldas, a educadora social Juliana Souza, 33 anos, trabalha com projetos voltados para jovens da periferia. Para ela, o 8 de março é uma data que representa luta coletiva. “Ser mulher no Brasil é aprender desde cedo a ser forte. A gente luta por espaço no trabalho, luta dentro de casa para dividir responsabilidades e luta para que a nossa voz seja ouvida”, diz. Juliana acredita que a data precisa servir como um lembrete permanente de que a violência contra a mulher não pode ser normalizada. “Enquanto uma mulher for agredida, humilhada ou morta por ser mulher, nenhuma de nós está realmente segura. O Dia Internacional da Mulher não é só comemoração. É um grito coletivo dizendo que não vamos mais aceitar o medo como parte da nossa rotina.”
Uma frase que ecoa além da data! Se existe uma mensagem que resume o sentimento de muitas mulheres neste 8 de março, talvez seja esta: “O Dia Internacional da Mulher só fará sentido quando nenhuma mulher precisar ter medo de simplesmente existir.” Entre conquistas e desafios, a data continua sendo um símbolo de resistência. Mais do que homenagens, o que muitas mulheres esperam é transformação dentro de casa, nas ruas, nas instituições e na forma como a sociedade encara a igualdade de direitos. Porque, para elas, a luta por respeito, segurança e dignidade não acontece apenas no dia 8 de março. Ela acontece todos os dias.

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