Marcos San Juan – Jornalista

Recentemente, ao assistir às cinebiografias de Cazuza e Renato Russo, senti uma mistura de admiração e tristeza. Admirar, porque é impossível não se impressionar com a intensidade com que viveram, criaram e transformaram a música brasileira. E tristeza, porque é inevitável perceber como trajetórias tão brilhantes foram interrompidas cedo demais. Esses artistas não se limitavam a cantar; eles traduziam em versos as dores, os desejos e as contradições de uma geração inteira. Ao revisitarmos suas histórias, a sensação é de que ainda havia muito mais a ser dito, escrito e cantado. É como se o tempo tivesse nos roubado capítulos importantes de um livro que gostaríamos de continuar lendo.

A emoção que surge diante dessas histórias também é um lembrete da fragilidade da vida. Se até vozes tão intensas foram silenciadas pelo tempo e pela doença, o que dizer de nós? Talvez por isso suas músicas continuem tão vivas: porque carregam a urgência de quem sabia que não havia tanto tempo assim. No fim, recordar Cazuza e Renato Russo é mais do que nostalgia. É reconhecer que o que é belo, intenso e verdadeiro não desaparece com a morte. Pelo contrário, permanece ecoando em nós, como uma saudade que nunca se esgota.